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Alocação de orçamento por canal: use ROI marginal, não ROAS médio

Você investe R$ 10 mil em Google Ads com ROAS de 4x e R$ 5 mil em Meta Ads com ROAS de 6x. Chegou mais R$ 1.000 no caixa pra investir. Onde coloca?

A resposta óbvia é Meta, porque o ROAS é maior. Só que a resposta óbvia costuma estar errada. O próximo real em Google pode devolver R$ 3,80 de lucro, enquanto o próximo real em Meta devolve R$ 2,10, mesmo com o ROAS médio do Meta parecendo melhor.

O que decide isso é o ROI marginal: o retorno do próximo real investido, não a média histórica do canal. Quem aloca orçamento olhando só ROAS médio joga dinheiro em canal que já saturou e deixa canal com espaço passando fome.

Na experiência com contas de e-commerce e B2B que a Nexus opera desde 2019, a maioria dos gestores comete esse erro: decide pela média do mês passado, não pelo retorno do próximo lote de verba. Este artigo mostra como calcular o ROI marginal e colocar cada R$ 1.000 adicional no canal certo.

O que é ROI marginal, sem enrolação

ROI marginal responde uma pergunta só: se eu investir mais R$ 1.000 agora, quanto volta?

Não é a média do mês passado. É o retorno do próximo lote de investimento, o real que ainda não entrou.

Pensa numa padaria. Vender 100 pães por dia dá 60% de margem. Pra vender 150, você precisa contratar mais um padeiro e ligar o forno às 4h. A margem do pão 101 ao 150 cai pra 35%. Essa é a margem marginal: o custo real de crescer mais um pouco.

Em mídia paga funciona igual. Um exemplo de como a verba se comporta conforme você empurra mais em Google Shopping:

  • Primeiros R$ 5 mil: público quente, ROAS 5x
  • Próximos R$ 5 mil: público morno, ROAS 3,2x
  • Mais R$ 5 mil: tráfego frio, ROAS 2,1x

A média fecha em 3,4x. Parece saudável. Mas se você adicionar mais R$ 1.000, ele cai no terceiro balde, o de 2,1x. A média mente sobre o que o próximo real vai render.

Antes de seguir, guarda uma distinção que vale o artigo inteiro. Existem duas contas com nomes parecidos:

  • ROAS marginal: quanto de receita o próximo real traz. Serve pra ranquear canais rápido.
  • ROI marginal: quanto de lucro sobra do próximo real depois de descontar o custo do produto. É o que decide de verdade.

Muita gente chama os dois de “ROI marginal” e se confunde na hora de escolher o canal. Vou usar os dois de propósito: ROAS marginal pra fazer a primeira triagem, ROI marginal pra bater o martelo. Onde os números mudarem de escala, eu aviso.

Por que ROAS médio quebra a sua alocação

Um caso que a Nexus acompanhou, e-commerce de suplementos. Situação inicial:

  • Google Ads: R$ 18 mil/mês, ROAS 3,8x
  • Meta Ads: R$ 8 mil/mês, ROAS 5,1x
  • Decisão do cliente: “vamos dobrar o Meta, tá performando melhor”

Resultado 30 dias depois:

  • Meta subiu pra R$ 16 mil e o ROAS caiu pra 3,4x
  • Google ficou nos R$ 18 mil, ROAS estável em 3,7x
  • Lucro total: caiu em relação ao mês anterior

O que aconteceu? O Meta já estava no teto. O público quente (retargeting mais lookalike 1%) tinha tamanho limitado. Empurrar mais verba jogou grana em tráfego frio, com CPM bem mais alto e conversão menor.

O Google, enquanto isso, tinha espaço. Bastava expandir Performance Max pra categorias vizinhas e ligar Discovery. Quando a Nexus testou mover verba pra lá, o retorno do orçamento novo ficou acima da média do próprio canal.

A lição é direta: ROAS médio é a fotografia do passado. ROI marginal é o GPS do presente.

Como calcular a alocação por canal, passo a passo

Você precisa de 3 números por canal:

  1. Investimento atual (I₀)
  2. Receita atual (R₀)
  3. Receita projetada com +10% de investimento (R₁)

A primeira conta é a rápida, o ROAS marginal:

ROAS marginal = (R₁ − R₀) / (I₁ − I₀), onde I₁ = I₀ × 1,10 (teste com +10% de orçamento).

Exemplo prático: e-commerce de moda

Situação atual:

Canal Investimento Receita ROAS médio
Google Ads R$ 20.000 R$ 76.000 3,8x
Meta Ads R$ 12.000 R$ 60.000 5,0x
TikTok Ads R$ 5.000 R$ 18.500 3,7x

Olhando só o ROAS médio, você colocaria a verba no Meta (5,0x). Agora roda o teste marginal: mais 10% de orçamento em cada canal por 7 dias, sem mexer em mais nada.

Canal Novo investimento Nova receita ROAS marginal
Google Ads R$ 22.000 R$ 84.200 4,1x
Meta Ads R$ 13.200 R$ 64.800 4,0x
TikTok Ads R$ 5.500 R$ 20.750 4,5x

A surpresa: o TikTok tem o pior ROAS médio (3,7x), mas o melhor ROAS marginal (4,5x). Por quê? Ainda está em aprendizado, com público virgem e CPM baixo em relação ao Meta, que já saturou o público quente.

Decisão certa: dos próximos R$ 3 mil disponíveis, R$ 1.500 no TikTok, R$ 1.000 em Google Ads, R$ 500 no Meta. Exatamente o contrário do que o ROAS médio mandaria fazer.

O framework em 4 etapas

Etapa 1: mapeie o investimento atual

Liste todos os canais pagos com o investimento dos últimos 30 dias:

  • Paid search (Google, Bing)
  • Paid social (Meta, TikTok, LinkedIn)
  • Display e programático
  • Marketplace ads (Amazon, Mercado Livre)

Não misture orgânico aqui. O foco é onde você controla o orçamento direto. Se precisar afinar a configuração das campanhas, o guia oficial do Google Ads tem o detalhe técnico.

Etapa 2: rode o teste incremental (+10%)

Aumente o orçamento de cada canal em 10% por 7 a 14 dias. Não toque em criativo, segmentação ou lance. Só o orçamento. Aí você mede:

  • Receita incremental (use a mesma janela de atribuição em todos, pra comparação justa)
  • Custo incremental (orçamento mais fees de ferramenta ou gestão)
  • Margem bruta do canal (quanto da receita vira lucro antes de anúncio)

Dica: rode o teste em semana normal. Fugir de Black Friday, lançamento, promoção. Qualquer pico distorce a base e você mede o evento, não o canal.

Etapa 3: transforme ROAS marginal em ROI marginal (entra a margem)

Aqui a conta rápida vira conta de verdade. O ROAS marginal ignora que você tem custo de produto. Duas fórmulas resolvem:

Lucro marginal = (receita incremental × margem bruta) − custo incremental

ROI marginal = lucro marginal / custo incremental

Exemplo com o Meta Ads: gerou R$ 4.800 de receita incremental com R$ 1.200 de custo, e a margem bruta do produto é 45%.

  • Lucro bruto incremental: R$ 4.800 × 0,45 = R$ 2.160
  • Lucro líquido: R$ 2.160 − R$ 1.200 = R$ 960
  • ROI marginal: R$ 960 / R$ 1.200 = 0,8x (80% de retorno sobre o que entrou)

Se a margem fosse 60% em vez de 45%, o ROI marginal subiria pra 1,4x. Mesma receita, canal diferente na decisão só por causa da margem.

Repare na mudança de escala, que é onde quase todo mundo se enrola. O ROAS marginal daquele canal era 4x; o ROI marginal deu 0,8x. Não tem erro: 4x é receita sobre o real investido, 0,8x é lucro sobre o mesmo real, depois de tirar produto e custo. É o 0,8x que decide onde vai a verba, não o 4x. O ROAS marginal só serviu pra ranquear e ver quem vale a conta completa.

Etapa 4: aloque do maior pro menor ROI marginal

Ordene os canais por ROI marginal decrescente e distribua o orçamento novo nessa ordem, até esbarrar num de três limites:

  1. Teto de escala: o canal não aguenta mais verba sem saturar (público pequeno demais, por exemplo)
  2. Piso de lucro: você define o mínimo (ex.: “só entro com mais real se o ROI marginal passar de 0,5x”)
  3. Orçamento disponível: acabou a grana

Regra de ouro: pare de adicionar verba quando o ROI marginal do próximo real cair abaixo do seu custo de capital. Se o cartão corporativo cobra 2,5% ao mês, qualquer real com ROI marginal abaixo de 0,025x (2,5%) já dá prejuízo depois do custo de financiar. Esse é o piso absoluto. Na prática o seu piso é bem mais alto que isso, mas o cartão é o mínimo que não dá pra furar.

Caso real: SaaS B2B que realocou verba e subiu o lucro

Cliente: software de gestão pra contadores, ticket de R$ 497/mês. Situação inicial:

  • Google Search: R$ 28 mil, CAC R$ 890, LTV R$ 4.200 (24 meses), ROAS médio 2,8x
  • LinkedIn Ads: R$ 18 mil, CAC R$ 1.240, LTV R$ 5.100, ROAS médio 2,1x
  • Meta Ads: R$ 9 mil, CAC R$ 1.580, LTV R$ 3.800, ROAS médio 1,6x

Pelo ROAS médio, a leitura seria cortar Meta (pior) e dobrar Google (melhor). Mas em B2B o ROI marginal se mede por LTV sobre CAC, porque o LTV já carrega a margem ao longo dos meses. A Nexus rodou testes de +15% por 21 dias, já que o ciclo de venda B2B é mais longo:

Canal CAC marginal LTV médio ROI marginal (LTV/CAC)
Google Search R$ 1.180 R$ 4.200 3,6x
LinkedIn Ads R$ 980 R$ 5.100 5,2x
Meta Ads R$ 2.100 R$ 3.800 1,8x

O LinkedIn tinha o pior ROAS médio, mas o melhor CAC na margem. Por quê? A campanha de lead gen estava sub-orçada. Aumentar o orçamento destravou mais impressão em público sênior (CFO, controller) sem saturar, enquanto o Meta na margem já custava R$ 2.100 por cliente.

Ação: cortamos o Meta, mantivemos o Google e jogamos a maior parte do orçamento realocado no LinkedIn.

Sobre o resultado, vou ser transparente: não vou fabricar um número redondo de faturamento pra impressionar, porque atribuição em B2B com ciclo longo não me dá essa precisão. A conta que importa é a do próximo real, e essa é aritmética. Cada real que saiu do Meta (LTV/CAC marginal 1,8x) e entrou no LinkedIn (5,2x) passou a render quase 3x mais em valor de cliente. O CAC do dinheiro realocado saiu da faixa de R$ 2.100 (Meta na margem) pra perto de R$ 980 (LinkedIn na margem). Mesmo orçamento total, mais cliente bom no fim do trimestre.

O erro de origem era olhar só ROAS médio de cada canal isolado, sem enxergar em que estágio do funil cada um trabalha e quanto o próximo real ainda rendia em cada um.

3 erros que destroem a sua alocação

Erro 1: comparar canais com janelas de atribuição diferentes

Google Ads converte em 2 a 4 dias na média. LinkedIn B2B leva semanas. Se você mede os dois com janela de 7 dias, o LinkedIn parece pior do que é, porque metade das conversões dele cai fora da janela.

Solução: use janela de atribuição compatível com o ciclo do canal. B2B, 30 a 45 dias. E-commerce de impulso, 7 dias. Ticket alto, 14 a 21 dias.

Erro 2: ignorar os canais de topo de funil

Display e vídeo têm ROAS direto baixo (algo entre 1,2x e 1,8x). Só que eles alimentam retargeting e branded search, e isso não aparece no ROAS deles.

Num e-commerce de eletrônicos que a Nexus acompanhou, o cliente pausou o YouTube pra “economizar”. O branded search caiu junto (menos gente procurando a marca), o ROAS do retargeting piorou (menos público pra reimpactar) e a receita total caiu em vez de subir. O YouTube não vendia direto, mas abastecia o resto da conta.

Solução: meça o ROI incremental do canal ligando e desligando, ou use multi-touch attribution. Não julgue canal de topo pelo ROAS de último clique, porque o trabalho dele é anterior à venda.

Erro 3: realocar verba rápido demais

Você descobre que o TikTok tem ROI marginal alto e joga um monte de orçamento de uma vez. O ROAS despenca. Por quê? O algoritmo precisa reaprender e o público precisa escalar por camada (lookalike 1%, depois 3%, depois 5%, depois interesse).

Solução: suba o orçamento em incrementos de 15% a 20% por semana. Fique de olho nas métricas que chegam primeiro (CPM, CTR, CVR) antes de escalar de novo.

Com que frequência realocar

No que a Nexus vê gerenciando contas de portes diferentes, a frequência ideal muda com o perfil:

Frequência Perfil Leitura
Semanal E-commerce de alto volume Arriscado, tende a reagir a ruído
Quinzenal E-commerce médio Equilibrado
Mensal Maioria dos casos Recomendado
Trimestral B2B de ciclo longo Adequado

Recomendação prática: revise o ROI marginal mensalmente e ajuste o orçamento em incrementos quinzenais. Com exceções:

  • Sazonalidade forte (varejo): revisar semanalmente em novembro e dezembro
  • B2B de ciclo longo: bimestral já resolve
  • Lançamento de produto: diário nos primeiros 14 dias

Como automatizar o cálculo

Dá pra montar tudo numa planilha simples. A que a Nexus usa internamente tem esta lógica.

Entradas:

  • Investimento atual por canal
  • Receita dos últimos 30 dias
  • Margem bruta do produto (%)
  • Orçamento adicional disponível (R$)

Saídas automáticas:

  • ROI marginal estimado por canal
  • Ordem de alocação do orçamento novo
  • Projeção de lucro incremental

Pra montar no Google Sheets, use estas colunas:

  1. Canal
  2. Investimento atual (R$)
  3. Receita atual (R$)
  4. ROAS médio (cálculo automático: col3/col2)
  5. Receita +10% (entrada manual após o teste)
  6. ROAS marginal (cálculo automático)
  7. Prioridade (ranking automático pela coluna 6)

A fórmula da célula do ROAS marginal (coluna F, linha 2):

=(E2-C2)/(B2*0.1)

Pra canais com histórico, uma regressão linear simples devolve o ROAS marginal médio dos últimos 90 dias: =SLOPE(intervalo_receita, intervalo_investimento). Depois é só aplicar a margem bruta na coluna seguinte pra chegar no ROI marginal.

Se quiser subir de nível, integre com Looker Studio puxando dados direto das APIs do Google Ads e do Meta, e deixe o ROI marginal recalcular sozinho toda segunda. Tem mais conteúdo de otimização no blog da Nexus.

ROI marginal ou teste A/B de orçamento?

Pergunta que aparece toda hora: “não é mais fácil fazer teste A/B?” Sim e não.

Teste A/B de orçamento funciona quando:

  • Você tem volume alto, mais de 500 conversões por mês por canal
  • Dá pra dividir públicos sem contaminar um ao outro (geo-split, por exemplo)
  • Você quer validar uma hipótese específica (“aumentar 30% em Search contra Social”)

ROI marginal funciona melhor quando:

  • O volume é menor, abaixo de 200 conversões por mês
  • Não dá pra dividir públicos (mesma região, produto único)
  • Você quer uma régua contínua, não um teste pontual

Na prática, use o ROI marginal como régua permanente e o teste A/B pra validar mudança grande, tipo dobrar o orçamento de um canal ou entrar num canal novo. Na nossa visão, quem só usa um dos dois deixa retorno na mesa: o A/B prova a mudança grande, o ROI marginal cuida do ajuste fino de todo dia.

Ajuste por sazonalidade e ciclo de compra

O retorno marginal varia ao longo do ano. Num e-commerce de moda, por exemplo:

  • Janeiro (pós-festas): retorno marginal baixo, o público está cansado de comprar
  • Abril (outono): médio, renovação de guarda-roupa
  • Novembro (Black Friday): alto, intenção de compra no teto

Solução: calcule o ROAS marginal médio por mês do ano, usando 12 a 24 meses de histórico, e monte uma tabela de referência:

Mês Google (ROAS marginal) Meta (ROAS marginal) Recomendação
Janeiro 2,1x 1,8x Reduzir orçamento 20% a 30%
Maio 3,4x 3,1x Orçamento normal
Novembro 5,2x 6,1x Aumentar orçamento 50% a 80%

Isso serve pra planejar caixa com 60 a 90 dias de antecedência. Você segura verba em julho e agosto pra ter fôlego de explodir em novembro, quando o retorno marginal está no pico.

Conclusão: a diferença entre alocação medíocre e lucrativa

A matemática é simples. No que a Nexus vê operando contas desde 2019, quem aloca por ROI marginal costuma bater quem aloca só por ROAS médio, com o mesmo investimento total, os mesmos produtos e os mesmos canais. A única diferença é botar a verba no canal certo, não no canal com a melhor média histórica.

Os quatro fundamentos que separam alocação lucrativa de alocação medíocre:

  1. ROAS médio mente. Meta com 5,1x parece melhor que Google com 3,8x, mas se o Meta já saturou o público quente, o próximo R$ 1.000 rende menos que o Google, que ainda tem espaço.
  2. O retorno marginal muda todo mês. Janeiro pós-festas é baixo, novembro é alto. Você recalcula, não repete o orçamento do trimestre passado.
  3. A margem do produto pesa tanto quanto o ROAS. Canal com ROAS 4x e margem 30% lucra menos que canal com ROAS 3x e margem 60%. Por isso o ROI marginal decide, não o ROAS marginal.
  4. Incremento gradual vence salto grande. Escalar tudo de uma vez quebra o algoritmo. Subir 15% por quinzena mantém a eficiência.

Seu próximo movimento leva uns 90 minutos:

  1. Abra uma planilha com investimento e receita dos últimos 30 dias por canal
  2. Escolha 2 ou 3 canais principais e aumente o orçamento em 10% por 7 dias, sem mexer em mais nada
  3. Calcule o ROI marginal de cada um: [(receita nova − receita antiga) × margem bruta − custo adicional] / custo adicional
  4. Jogue os próximos R$ 1.000 no canal de maior ROI marginal e repita até ele começar a saturar

Se preferir não fazer isso na mão, a Nexus atua como o CFO da sua mídia paga: em vez de “gestão de tráfego”, montamos o sistema de alocação que decide onde o próximo real rende mais lucro. Se quiser, mande o print do seu último mês de investimento por canal em uma análise de alocação ou fale direto com o time pra ver se faz sentido pro seu momento.